Porto

A exibição cinematográfica regular na cidade do Porto teve início no verão de 1906 no Salão High-Life, um barracão da Feira de S. Miguel, localizada onde hoje se encontra a Rotunda da Boavista. Este projeto foi iniciado por Manuel da Silva Neves e Edmond Pascaud — que viriam a fundar a Neves & Pascaud, empresa emblemática na história cinematográfica da cidade — e teve também como proprietário e gerente Luís Neves Real, matemático e professor, figura importante para a história do Cineclube do Porto e crítico de cinema. O Salão High-Life, que reunia no seu público diferentes camadas sociais da cidade, esteve apenas dois meses na Feira de S. Miguel, tendo sido depois mudado para o Jardim da Cordoaria. A 20 de fevereiro de 1908, sob o nome Novo Salão High-Life, mudou-se definitivamente para a Praça da Batalha.

O Cinema Batalha começou a ter os contornos que conhecemos na década de 40. O edifício que albergava o Novo Salão High-Life foi demolido para dar lugar ao novo Cinema, com um projeto de arquitetura de Artur Andrade. A obra emblemática foi, à data, caracterizada como sendo detentora de uma “radicalidade moderna”. Era constituída por dois auditórios (um com capacidade para 950 lugares sentados e o outro para 135), dois bares e um restaurante com esplanada.

O projeto de Artur Andrade foi complementado com várias obras de arte integrada, incluindo as pinturas de Júlio Pomar e o alto relevo na fachada de Américo Braga que viriam a ser censurados pelo regime salazarista.

No ano 2000, o Batalha encerrou pela primeira vez, devido em grande parte à competição com as grandes superfícies comerciais. O estado de degradação do edificado foi-se agravando, até em 2006 ser arrendado pela Comércio Vivo por um período de quatro anos. Findo este período, encerrou de novo.

Em 2012, o Cinema Batalha foi considerado Monumento de Interesse Público, classificação que veio salvaguardar a integridade do edifício. Em 2017, a Câmara Municipal do Porto assumiu a gestão do Cinema Batalha por um período de 25 anos e anunciou a intenção de reabilitar o edifício histórico. A empreitada teve início a 18 de novembro de 2019, tendo o projeto de arquitetura ficado a cargo do Atelier 15, de Alexandre Alves Costa e Sérgio Fernandez.

Em dezembro de 2022, o Batalha Centro de Cinema abriu ao público.

Construído dentro de uma lógica modernista de integração das artes plásticas na arquitetura contempla obras de cinco artistas. Os mais emblemáticos, pelo seu valor simbólico na história da censura do regime do Estado Novo em Portugal, são o baixo e alto relevo na fachada, de Américo Braga, e os murais de Júlio Pomar. No Batalha pé possível ainda encontrar obras de Arlindo Rocha, António Sampaio e Augusto Gomes.

Por ordem da censura vigente no período de ditadura, o martelo na mão do operário e a foice na mão da ceifeira, no baixo e alto relevo de Américo Braga (1909–1991) na fachada do edifício, foram destruídos por convocarem uma iconografia associada ao movimento comunista. A renovação do edifício de 2022 repõe o martelo, agora em aço, simbolizando a sua restituição permanente.

No foyer comum aos dois primeiros pisos, e no foyer do último piso, encontramos os murais que Júlio Pomar (1926–2018) pintou. Estudante no Porto na altura de construção do edifício e uma figura relevante no meio artístico universitário portuense, Júlio Pomar pinta dois frescos nos quais figuram cenas das festas de São João do Porto. A execução dos murais, interrompida devido à prisão de Pomar por motivos políticos, é concluída após a abertura ao público do cinema, sendo as duas obras pouco tempo depois tapadas por ordem da PIDE. Os frescos, conhecidos até 2022 apenas pelos registos fotográficos a preto e branco de Ernesto de Sousa, sobreviveram por baixo de multiplicas camadas de tinta, e foram recuperados com o atual projeto de renovação do edifício.

No foyer no átrio de acesso à Tribuna (piso 1), encontramos a escultura da Deusa romana Flora, composta em dimensão humana com gesso branco pelo artista Arlindo Rocha (1921–1999).

Na escadaria de acesso à Sala-filme, a partir do Bar, é possível ver a pintura de António Sampaio (1916–1994), com desenhos de paisagens naturais e de três cavalos na sua parte central.

No interior da Sala 1, sobre as entradas laterais, encontram-se altos relevos de Américo Braga e Augusto Gomes (1910–1976), com motivos florais e ornitológicos.

LOCALIZAÇÃO
Praça da Batalha, 47 | 4000-101 Porto  

HORÁRIOS
Terça-feira e domingo | 11h00 – 20h00
Quarta e quinta-feira | 11h00 – 22h00
Sexta-feira e sábado | 11h00 – 00h00

CONTACTOS
T. (+351) 225 073 308 | E. batalha@agoraporto.pt